domingo, 19 de setembro de 2010

Contracepção contínua melhora sintomas menstruais

Contracepção contínua melhora sintomas menstruais
23.06.2006


http://www.consultaremedios.com.br/noticia.php?id=684

Estudo clínico comprova eficácia da pílula de contracepção contínua para o tratamento dos incômodos que atormentam grande parte das mulheres em idade fértil

Um estudo realizado no Brasil demonstrou que o uso contínuo de contraceptivos hormonais (em que a mulher toma o anticoncepcional sem pausa) diminui os sintomas menstruais, como dor de cabeça, inchaço e cólicas. Participaram do estudo 334 usuárias de contraceptivos orais combinados (COCs), com idade média de 28 anos. Dentre elas, 219 afirmaram que apresentavam sintomas menstruais potencializados durante a pausa contraceptiva. Após o uso do contraceptivo etinilestradiol/gestodeno, por 56 dias contínuos, metade das pacientes não apresentou mais cefaléia e inchaços, 75% afirmou não possuir mais dismenorréia (cólicas), 95% não teve mais problemas com menorragia (fluxo intenso), além de apresentar significativa melhora dos demais sintomas.

Publicado recentemente na Revista Brasileira de Medicina, o estudo denominado “Efeitos da associação etinilestradiol/gestodeno em uso contínuo no contorno dos sintomas durante a pausa contraceptiva” foi realizado na Faculdade de Medicina de Jundiaí (SP), utilizando o contraceptivo Gestinol, produzido pela Libbs Farmacêutica. Segundo os autores do estudo, a presença de sintomas no período da pausa contraceptiva tem sido pouco valorizada na prática clínica. “Diante de um efeito colateral, na maior parte das vezes, o médico costuma trocar o contraceptivo. Raramente é indagado o período em esse sintoma ocorre ou tem sua exacerbação. Os resultados do estudo mostraram que, para contornar os sintomas que ocorrem durante a pausa, o uso contínuo de contraceptivos pode ser uma medida simples e eficaz”, informa o texto publicado.

A Dra. Arícia Giribela, médica ginecologista do Hospital das Clínicas, de São Paulo, explica que, tradicionalmente, o uso dos anticoncepcionais se faz com pausas programadas mensais, para que ocorra o sangramento. “No entanto, tem-se questionado a real necessidade dessa pausa durante o uso de contraceptivos orais, principalmente em razão dos sintomas apresentados nesses períodos como náuseas, mastalgia (dor nas mamas), humor depressivo, cefaléia (dor de cabeça), dismenorréia (cólicas), entre outros, que se apresentam com maior intensidade”, completa.

Muitas mulheres, porém, ainda têm dúvidas sobre a interrupção do ciclo menstrual, por considerar a menstruação importante. As justificativas mais comuns entre aquelas que acham necessário o sangramento mensal são: tentar aproximar ao ciclo menstrual natural, "limpar" o organismo dos hormônios, certificar-se de que não engravidou e prevenir o sangramento inesperado. No entanto, segundo o Dr. Hugo Maia, diretor de pesquisas do CEPARH (Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana), em Salvador (BA), nenhuma dessas razões têm comprovação científica. "Por isso o conhecimento sobre a ação hormonal dos contraceptivos é primordial para a mulher decidir se irá suspender a menstruação", declara o médico. Outra dúvida muito freqüente entre as pacientes é se a pílula causa infertilidade. O Dr. Hugo Maia explica que “estudos comprovam que o método anticoncepcional não altera a fertilidade da mulher. A mulher volta a ovular normalmente um a três meses após a interrupção do consumo da pílula”.

Diferentemente da menstruação natural, o sangramento mensal de quem usa a pílula anticoncepcional é resultante da pausa do consumo do medicamento e não da flutuação hormonal que ocorre no ciclo menstrual natural. A usuária de pílula recebe diariamente a mesma quantidade de hormônio que impede a ovulação e, por conseqüência inibe a proliferação do endométrio (parede interna do útero). Quando a mulher pára de tomar a pílula, ocorre um pequeno sangramento proveniente da descamação do endométrio, mas que não pode ser considerado menstruação, pois não houve ovulação nem preparação do útero para receber o óvulo fecundado. Com isso, o sangramento é bem menor, porém, para algumas mulheres, com os mesmos efeitos colaterais de uma menstruação natural.

O uso contínuo do Gestinol também se mostrou eficaz no tratamento da endometriose, doença progressiva que afeta de 5% a 10% das mulheres. Um estudo publicado na revista científica European Journal of Contraception & Reproductive Health Care mostrou que o uso contínuo da associação etinilestradiol/gestodeno (princípios ativos do Gestinol) por dois anos impede a recorrência dos cistos endometrióticos quando o tratamento for iniciado logo após o procedimento cirúrgico. No caso de miomas uterinos, o contraceptivo impede seu crescimento, reduz sangramentos e melhora consideravelmente o quadro de anemia se utilizado por dois anos.

Mais informações sobre cuidados com o corpo e contracepção podem ser encontradas no site www.sabermulher.com.br .

Sobre a Libbs

Presente no mercado de medicamentos éticos desde 1958, a Libbs Farmacêutica tem 976 funcionários, opera duas fábricas, uma no bairro da Pompéia e outra na cidade de Embu, em São Paulo. Distribuindo medicamentos em todo o País, e faturando cerca de 106 milhões de dólares por ano (dados de 2004, publicados pelo IMS), a empresa é um dos poucos laboratórios farmacêuticos no Brasil que mantêm uma unidade industrial de química fina para produção de insumos para a indústria farmacêutica. A empresa atua nas áreas ginecológica, cardiovascular, neuropsiquiátrica, gastroenterológica, respiratória, dermatológica e oncológica. Os produtos mais vendidos atualmente são: Diminut (contraceptivo), Libiam (reposição hormonal), Ancoron (antiarrítmico), Cebrilin (antidepressivo), Finalop (tratamento e prevenção da calvície masculina), entre outros.

Fontes sugeridas para entrevista:

Dra. Arícia Giribela, médica ginecologista do Hospital das Clínicas, de São Paulo (SP).

Dr. Hugo Maia Filho, professor do Departamento de Ginecologia da Faculdade de Medicina da UFBA (Universidade Federal da Bahia) e diretor de pesquisas do CEPARH (Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana), em Salvador (BA).


Efeito do Omega 3 no sangramento uterino durante o uso de contraceptivos orais em regime contínuo

http://www.isaude.net/pt-BR/noticia/8460/artigo/efeito-do-omega-3-no-sangramento-uterino-durante-o-uso-de-contraceptivos-orais-em-regime-continuo

* Dr. Hugo Maia Filho - Diretor Científico da Associação Brasileira de Ginecologia Endócrina (SOBRAGE); Diretor de Pesquisa do Centro de Pesquisa e Assistência em Reprodução Humana (CEPARH)tamanho da letra
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O uso continuo da associação de 75 mcg de gestodeno com 30 mcg de etinil-estradiol (Gestinol 28, Libbs Farmacêutica) em pacientes com miomas, endometriose ou adenomiose está associado com a presença de sangramento uterino irregular em aproximadamente 30% das pacientes nos primeiros seis meses de uso 1.


O mecanismo do sangramento uterino irregular durante o uso contínuo de contraceptivos orais combinados contendo gestodeno não está ainda perfeitamente conhecido. Nos últimos anos estudos foram feitos que mostraram que a ativação da inflamação no endométrio tinha um papel importante na gênese deste sangramento 1,2.


Biopsias de endométrio feitas em pacientes que estavam sangrando durante o uso do Gestinol 28 mostraram a ativação da enzima Cox-2 tanto na glândula endometrial como no endométrio decidual.

A ativação da Cox-2 levaria a um aumento da produção de prostaglandinas pró-inflamatórias como a prostaglandina E2, que por sua vez provocaria sangramento e muitas vezes dor 2,3.


O mecanismo pelo qual a Cox-2 seria ativada no endométrio destas pacientes a despeito do uso contínuo do gestodeno não está ainda claro, mas provavelmente envolveria uma redução nos níveis de receptores para a progesterona no endométrio, levando assim a uma ativação da inflamação e da enzima Cox-2 3-5.


Como no endométrio, da mesma maneira que nos outros tecidos, a inflamação é regulada por um fator de transcrição nuclear chamado de NF-Kapa B. A ação antiinflamatória da progesterona, por outro lado, é mediada através da inibição da ativação deste fator nuclear 3.


Da mesma maneira que a progesterona, o gestodeno inibe o NF-Kappa B no endométrio e a paciente entra em amenorréia. Entretanto, quando ocorre sangramento uterino durante o uso contínuo do Gestinol 28, o NF-Kappa B permanece ativado e isto deflagra a cascata inflamatória no endométrio. Existem vários inibidores do NF-Kappa B, porém um que é largamente encontrado na natureza é o Omega 3. Estes ácidos graxos extraídos dos peixes de água fria são antiinflamatórios e eles têm sido utilizados para tratar dismenorréia.


Em um estudo observacional clinico recente realizado no CEPARH em 101 pacientes que estavam usando Gestinol 28 para tratar sangramento e dor associados com patologias como adenomiose (n=27), mioma (n=44), endometriose (n=19) e pólipos endometriais (n=11) foi observado que o uso concomitante do Omega 3 reduzia de maneira significativa a incidência de sangramento durante o uso contínuo do anticoncepcional.


Nas pacientes que faziam uso de Gestinol 28 isolado (n=61), a incidência de sangramento irregular foi de 38% após quatro meses enquanto que nas pacientes que usaram concomitantemente o Omega 3 (n=40) esta incidência baixou para 3%. Da mesma maneira que o sangramento, o desaparecimento da dor foi relatado por 58% das pacientes no grupo que utilizou o Gestinol 28 isolado e por 97% das pacientes que utilizaram ele associado com o Omega 3.


Estes resultados iniciais mostraram que a associação do Gestinol 28 com o Omega 3 reduzia de maneira significativa a incidência de sangramento irregular e de dor durante os primeiros meses de uso do Gestinol 28 de maneira contínua.


Bibliografia

. Effect of oral contraceptives on vascular endothelial growth factor, Cox-2 and aromatase expression in the endometrium of uteri affected by myomas and associated pathologies. Maia H Jr, Casoy J, Pimentel K, Correia T, Athayde C, Cruz T, Coutinho EM. Contraception. 2008 Dec;78(6):479-85.


. Cyclooxygenase-2 expression in the endometrium and its relationship to bleeding in users of continuous oral contraceptives. Maia Jr. H, Correia T, Freitas L, Athayde C, Coutinho EM. Gynecol Endocrinol. 2006 Feb;22(2):96-100.


. Effect of the menstrual cycle and oral contraceptives on aromatase and cyclooxygenase-2 expression in adenomyosis. Maia H Jr, Casoy J, Correia T, Freitas L, Pimentel K, Athayde C, Coutinho E. Gynecol Endocrinol. 2006 Oct;22(10):547-51.


. Non-contraceptive health benefits of oral contraceptives. Maia H Jr., Casoy J. Eur J Contracept Reprod Health Care. 2008 Mar;13(1):17-24. Review.


. Effect of the menstrual cycle and oral contraceptives on cyclooxygenase-2 expression in the endometrium. Maia Jr. H, Maltez A, Studard E, Zausner B, Athayde C, Coutinho E. Gynecol Endocrinol. 2005 Jul;21(1):57-61.

3 comentários:

Anônimo disse...

Hugo Maia Filho! Um maravilhoso profissional até onde pude fazer o tratamento obtive resultados positivos a minha cirurgia de adenomiose e o tratamento de endometriose foram espetacular,e o uso contìnuo do ómega3 foi a chave principal para abrir a porta para uma qualidade de vida que havia se fechado por causa da endometriose ademinose.Sò tenho mesmo que agradecer a Deus por colocar Dr.hugo Maia Filho e o CEPARH na minha nada mole vida!Que DEUS continue abençoando esse trabalho maravilhoso realisado por suas mãos!

Nandhara disse...

Anonimo obrigada pelo seu comentário ele é muito importante para todas nós perseguidoras da cura.
bjs
Nandhara

Anônimo disse...

Uso gestinol 28 para suprimir a menstruação, há 3 meses, e está vindo um sangramento contínuo, qto de ômega 3 deve ser ingerido por dia?